Arquitetura & Organização6 min
Arquitetura é decisão econômica antes de ser decisão técnica
Cada escolha de arquitetura fixa um custo recorrente e um limite de velocidade. Tratá-la como assunto exclusivamente técnico é terceirizar decisão financeira.
Arquitetura raramente chega ao comitê executivo. Chega o orçamento de nuvem, o prazo do roadmap e o incidente. Todos os três são consequência de decisões de arquitetura tomadas meses ou anos antes, por pessoas que não estavam sendo convidadas a decidir economicamente.
O que uma decisão de arquitetura fixa
Uma fronteira entre serviços define quantos times conseguem trabalhar em paralelo. Um modelo de dados define o custo por transação. Uma escolha de acoplamento define quanto tempo levará a próxima mudança de produto. São compromissos de longo prazo com efeito direto em caixa e em prazo.
Conway não é metáfora
A estrutura do sistema converge para a estrutura de comunicação da organização. Isso significa que redesenhar arquitetura sem tocar em fronteiras de times produz, no melhor caso, um desenho bonito que não se sustenta por dois trimestres.
O inverso também vale: reorganizações que ignoram o desenho do sistema criam times responsáveis por partes que não conseguem alterar sozinhos.
Como levar isso ao comitê
A conversa funciona quando cada opção é apresentada com três números: custo recorrente estimado, tempo até a primeira entrega e o que a opção impede de fazer depois. O terceiro é o que normalmente falta — e é o mais caro.
Postura da ÀFÒNJÁ
Não recomendamos arquitetura por preferência tecnológica. Recomendamos a opção que a organização consegue sustentar, pagar e evoluir com o time que ela realmente tem.
Nota viva: este texto serve de base para os diagnósticos de arquitetura e será estendido com exemplos anonimizados.